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TAE do CEFET-MG tem dissertação premiada e joga luz sobre o ageísmo contra mulheres 45+

A servidora Técnico-Administrativa em Educação (TAE), pedagoga, Sandra Lúcia de Oliveira recebeu, no dia 9 de dezembro de 2025, o Certificado de Mérito Acadêmico do Centro Universitário Unihorizontes pela escolha de sua dissertação como a melhor pesquisa da área de Gestão de Pessoas defendida em 2023 no Programa de Mestrado em Administração e também como a melhor dissertação do mesmo ano. O reconhecimento foi entregue em cerimônia que também celebrou os 20 anos do mestrado.

Para Sandra, a homenagem dá voz, no contexto acadêmico, a mulheres ordinárias, com mais de 45 anos, objeto de sua pesquisa. “Essa visibilidade é fundamental num momento em que as sociedades do mundo todo passam por uma transição demográfica, com o aumento da população idosa, e organizações internacionais e líderes políticos defendem a permanência por mais tempo das pessoas no trabalho para suprir as demandas laborais”, explica.

Intitulada “Entre marcas físicas e simbólicas: envelhecimento e ageísmo de mulheres ordinárias à luz de perspectivas feministas”, a dissertação investiga como o preconceito de idade atinge mulheres com 45 anos ou mais em seus espaços de trabalho, especialmente quando se cruzam fatores como gênero, raça, classe social e orientação sexual. A partir das teorias do ageísmo e de perspectivas feministas, Sandra analisa de que maneira o capitalismo e o patriarcado produzem corpos considerados descartáveis, menos produtivos ou menos “adequados” ao padrão juvenil valorizado pelo mercado. A pesquisa é de abordagem qualitativa e descritiva e teve como participantes 25 mulheres autodenominadas “ordinárias”, isto é, mulheres comuns, que não ocupam cargos de cúpula nem posições de grande visibilidade. As entrevistas semiestruturadas foram analisadas pela Análise do Discurso na vertente francesa, permitindo evidenciar como o envelhecimento aparece como ameaça constante à permanência dessas trabalhadoras em postos de trabalho, mesmo quando se mantêm produtivas, experientes e comprometidas com suas funções.

Os resultados mostram que, para essas mulheres, a preocupação com a saúde associada à força produtiva pesa mais do que a tentativa de apagar os sinais físicos da idade. Ao mesmo tempo, revelam que o ageísmo não atinge todas da mesma forma. Mulheres negras, de classes populares ou lésbicas relataram camadas adicionais de discriminação, somando racismo, sexismo e lesbofobia ao preconceito de idade. Ao dar centralidade a essas vozes, a dissertação questiona a tendência da literatura a focar apenas em mulheres em cargos de prestígio ou a tratar “a mulher” como categoria universal, apagando as diferenças internas do grupo.

Uma das contribuições mais potentes do trabalho está na dimensão subjetiva. Muitas participantes relataram que, ao se escutarem durante as entrevistas, passaram a reconhecer o quanto haviam ocupado o lugar de coadjuvantes de suas próprias histórias, sem perceber plenamente os efeitos de um sistema capitalista e patriarcal sobre suas trajetórias profissionais. Ao provocar reflexão crítica e sensação de pertencimento, a pesquisa contribui para que essas mulheres se reconheçam como protagonistas de suas vidas e de suas lutas.

A pesquisadora e TAE ainda pontua que “os interesses do capital negligenciam realidades complexas e diversas, especialmente quando consideramos as interseccionalidades de raça, gênero, classe social, entre outras. A luta por melhores condições de trabalho para as mulheres 45+ não pode prescindir dessas questões, focando na melhor qualidade de vida no trabalho”.

O SINDIFES-MG parabeniza Sandra Lúcia de Oliveira, servidora TAE e sindicalizada, por sua conquista acadêmica e por colocar no centro do debate temas urgentes como envelhecimento, gênero, raça e mundo do trabalho. 

Para o coordenador de Política e Formação Sindical do Sindicato, Leônico d’Assumpção de Souza, a trajetória de Sandra é um exemplo concreto da potência da qualificação profissional dos TAE e uma inspiração para as demais servidoras e servidores das instituições da base. “Como Sindicato, reforçamos a defesa de políticas institucionais consistentes de formação e aperfeiçoamento para os TAE, com tempo, orçamento e reconhecimento adequados. Investir na qualificação de servidoras e servidores não é um favor, é parte de um projeto de educação pública federal que valoriza o trabalho técnico-administrativo como trabalho educativo e estratégico para a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão”, destaca ele. Ainda segundo o coordenador, o SINDIFES-MG seguirá lutando por condições de estudo, programas de capacitação, políticas de pós-graduação e estrutura orçamentária que permitam que mais TAE possam trilhar caminhos semelhantes ao de Sandra.

Para conhecer a dissertação na íntegra, acesse:
https://mestrado.unihorizontes.br/wp-content/uploads/2023/05/Sandra-L%C3%BAcia-de-Oliveira.pdf



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