A Direção do SINDIFES-MG vem a público se solidarizar com o povo Venezuelano e alertar a Categoria para a gravidade da ruptura da soberania nacional da Venezuela promovida pela recente operação militar dos Estados Unidos, que resultou em bombardeios, mortes e na captura do presidente Nicolás Maduro em claro desrespeito ao direito internacional. As incursões militares norte-americanas na América do Sul devem causar profunda preocupação a todos os povos da região, especialmente em países como o Brasil, que carregam cicatrizes abertas do intervencionismo estadunidense, como a promoção e apoio ao Golpe de 64, e recentemente, o golpe na presidenta Dilma Rousseff e a tentativa frustrada de golpe em 8 de janeiro de 2023.
Independentemente da posição que cada pessoa tenha em relação ao governo de Nicolás Maduro, a violação da soberania venezuelana recoloca em cena a velha lógica imperialista da política do “Big Stick”, em que os Estados Unidos se arrogam o direito de intervir política, econômica e militarmente no continente para assegurar seus interesses estratégicos, no caso da Venezuela, o petróleo, em detrimento das decisões democráticas e das necessidades dos povos locais. A captura de um chefe de Estado em território estrangeiro, sem autorização internacional e sob pretextos unilaterais, configura um precedente perigoso, que ameaça transformar a América Latina em palco permanente de disputas geopolíticas e de imposição pela força bruta. O governo americano tem afirmado, com frequência, que irá intervir no México, Colômbia e Cuba. O Brasil, como o país com a maior fonte de riquezas naturais, não fica de fora do radar estadunidense.
O Governo Brasileiro, por meio de pronunciamentos na ONU e na OEA, condenou de forma categórica a intervenção, classificando os bombardeios e a prisão de Maduro como violação da Carta das Nações Unidas, afronta gravíssima à soberania e ao povo da Venezuela, ameaça à paz e à ordem multilateral. O Brasil tem reafirmado que não aceita o uso unilateral da força, nem a ideia de que interesses econômicos, em especial ligados ao petróleo e a outros recursos naturais, possam justificar a mudança de governo em um país soberano.
No campo sindical, a CUT, a FASUBRA e demais entidades nacionais vêm manifestando veemente repúdio à agressão dos Estados Unidos, denunciando a violação do direito internacional, a tentativa de “sequestro político” de Maduro e o risco do início de uma guerra que serve apenas a interesses externos. As centrais alertam que, em situações como essa, é sempre a classe trabalhadora que paga o preço mais alto, com destruição de empregos, aprofundamento da pobreza, desorganização dos serviços públicos e crescimento da violência e da repressão.
É importante destacar que esses movimentos refletem o declínio da hegemonia do império norte-americano. Diversos países têm buscado criar alternativas para o comércio internacional que não dependam do sistema SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), mecanismo responsável por intermediar transferências bancárias internacionais por meio do dólar. Essa iniciativa ganhou força após os Estados Unidos e seus aliados bloquearem ou confiscarem reservas financeiras de várias nações, como Cuba, Irã, Iraque, Rússia e Venezuela.
Acendeu-se um alerta vermelho no cenário internacional, impulsionando o movimento pela desdolarização da economia global — processo liderado principalmente pelo grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Hoje, esses países são reconhecidos como parte do chamado Sul Global, em substituição ao antigo conceito de “terceiro mundo”. O BRICS desempenha um papel central na resistência ao imperialismo norte-americano, o que se evidencia nas tentativas de Washington de impor tarifas e barreiras comerciais aos produtos provenientes desses países. Essa reação ocorre porque o grupo já realiza parte significativa de suas transações comerciais em moedas próprias, reduzindo a dependência do dólar. O enfraquecimento do império norte-americano não se dará por guerras armadas, mas pela transformação econômica representada pela desdolarização — motivo do crescente desespero de Trump e da oligarquia que ele representa.







