Nota Pública do SINDIFES-MG sobre o Carnaval de Belo Horizonte

O SINDIFES-MG vem a público repudiar a forma como o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, está direcionando investimentos públicos e parcerias privadas no Carnaval de 2026 da cidade. Em vez de priorizar artistas e blocos locais, que construíram o carnaval belo-horizontino desde meados dos anos 2000, transformando-o em uma potência cultural, turística e econômica, a gestão aplica milhões em atrações como Luísa Sonza, Xamã, Marina Sena, João Gomes, Zé Felipe e Banda Eva, sem nenhuma conexão cultural com o movimento local e nem com o povo belo-horizontina. 

Enquanto mais de 600 blocos tradicionais, formados por comunidades e regiões periféricas, disputam recursos limitados por editais com valores entre R$ 14,6 mil e R$ 41,5 mil, shows de artistas renomados recebem aportes elevados, na casa dos milhões de reais, para contratações e estruturas, criando uma concorrência extremamente desleal. 

O SINDIFES-MG se une à voz das representações dos blocos, entre eles os formados pela nossa Categoria, que criticam essa “invasão capitalista”, em detrimento da cultura local. 

Durante duas décadas de crescimento exponencial do carnaval mineiro, impulsionado por artistas, baterias e alas autofinanciadas, não houve necessidade de bandas mainstream, revelando uma essência descentralizada, que ocupa toda a cidade em uma folia popular. Não somos contra artistas de fora, mas o carnaval de BH se mostrou forte e grandioso com os talentos locais; artistas de fora podem se apresentar em outras épocas, quando há escassez de investimentos em cultura e lazer público. 

Cobramos que o prefeito Álvaro Damião repense o modelo para 2027 ampliando estruturas para blocos locais e promovendo transparência nos critérios de aplicação de recursos. Belo Horizonte merece um carnaval feito por belo-horizontinos, conectado às comunidades e bairros, preservando sua identidade cultural autêntica.

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